A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundada no dia 1o de abril de 1858, ou um ano após o lançamento de O Livro dos Espíritos.

Vamos conhecer um pouco da história do primeiro Centro Espírita do mundo.

Porque foi preciso fundar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Vamos buscar em Obras Póstumas o relato de Allan Kardec para a criação da Sociedade Parisiense de Estudos Espiritas:

“Havia cerca de seis meses, eu realizava, em minha casa, à rua dos Mártires, uma reunião com alguns adeptos, às terças-feiras. A Srta. E. Dufaux era a médium principal. Conquanto o local não comportasse mais de 15 ou 20 pessoas, até 30 lá se juntavam às vezes. Apresentavam grande interesse tais reuniões, pelo caráter sério de que se revestiam e pelas questões que ali se tratavam. Lá não raro compareciam príncipes estrangeiros e outras personagens de alta distinção.”

“Nada cômoda pela sua disposição, a sala onde nos reuníamos se tornou em breve muito acanhada. Alguns dos frequentadores deliberaram cotizar-se para alugar uma que mais conviesse. Mas, então, fazia-se necessária uma autorização legal, a fim de se evitar que a autoridade nos fosse perturbar.”

A abertura da SPEE respeitou a legislação da época

Vale ressaltar que, àquela época, Napoleão III havia sofrido um atentado em 18 de janeiro de 1858. Dessa forma, a França estava sob Lei de Segurança Geral que exigia, entre outros, autorização do governo para atividades que reunissem determinado número de pessoas.

Mas voltemos ao relato do Codificador, sobre a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espiritas, na obra anteriormente citada.

“O Sr. Dufaux, que se dava pessoalmente com o Prefeito de Polícia, encarregou-se de tratar do caso. A autorização também dependia do Ministro do Interior. Coube então ao general X…, que era, sem que ninguém o soubesse, simpático às nossas ideias, embora sem as conhecer inteiramente, obter a autorização. Esta, graças à sua influência, pôde ser concedida em quinze dias, quando, de ordinário, leva três meses para ser dada.”

“A Sociedade ficou, em consequência, legalmente constituída e passamos a reunir-nos todas às terças-feiras no compartimento que ela alugara, no Palais Royal, galeria de Valois. Aí esteve um ano, de 1º de abril de 1858 a 1º de abril de 1859. Não tendo permanecido lá por mais tempo, entrou a reunir-se às sextas-feiras num dos salões do restaurante Douix, no mesmo Palais Royal, galeria Montpensier, de 1º de abril de 1859 a 1º de abril de 1860, época em que se instalou num local seu, à rua e passagem Sant’Ana, 59.”

Revista Espírita: Kardec cita a abertura da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Nas páginas da Revista Espírita, em maio, de 1858, da Revista Espírita, o professor festejou a constituição da Sociedade Parisiense de Estudos Espiritas:

“A Sociedade, cuja formação temos o prazer de anunciar, composta exclusivamente de pessoas sérias, isentas de prevenções e animadas do sincero desejo de esclarecimento, contou, desde o início, entre os seus associados, com homens eminentes por seu saber e por sua posição social. Estamos convictos de que ela é chamada a prestar incontestáveis serviços à constatação da verdade.”

Dois grandes presidentes da Sociedade Parisiense

Assim se formou aquela que seria a primeira Sociedade Espirita. Kardec assumiu a presidência da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e nomeou, então, São Luís “presidente espiritual” da Sociedade.

Uma das mensagens assinadas pelo Mentor espiritual serviria de guia para os trabalhos de intercâmbio com o além:

“Submeter ao controle da mais severa razão todas as comunicações que receberdes; não deixar de pedir, desde que uma resposta vos pareça duvidosa ou obscura, os esclarecimentos necessários para vos convencer.”

Entre os membros fundadores constam o senhor Rose, Alfred Didier, D’Ambel, Leymarie e Delanne, e as senhoritas Eugénie, Hue e Stephanie, além da atuante sra. Costel.

Do trabalho dessa Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e da Revista Espírita, seriam lançados O Livro dos Médiuns, a edição ampliada de O Livro dos Espíritos como a conhecemos hoje, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

Totalmente voltada para o estudo e ampliação da Doutrina Espirita, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas deve servir de modelo e guia para aqueles que levam os estudos espíritas a sério.

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Fonte de Pesquisa:  Obras Póstumas, de Allan Kardec e Kardec, A Biografia, de Marcel Souto Maior

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