Diferentes definições envolvem o significado da palavra “líder”. O que se entende por líder? Quem estaria investido de autoridade para ser declarado líder – inclusive líder espírita? Sua autoridade seria factual de poder temporal ou seria factual de poder moral, atemporal?

Não obstante todas convergirem para um mesmo sentido, nas definições comumente empregadas a palavra “líder” identifica o sujeito que ocupa um cargo de chefia, uma posição de comando, que orienta estratégias de ações visando um determinado fim. Pode ser um guia, representante de um grupo, de uma equipe de trabalho, esportiva, religiosa.

Também no meio da política, o líder é o representante do governo ou de um partido na bancada legislativa da Câmara Municipal, Assembleias Legislativas, na Câmara de Deputados Federais e de Senadores.

A função de liderança pode ser de ordinária, efêmera, transitória. Depende da competência dos indivíduos dela investidos de saberem costurar acordos, de fazerem ataque ou defesa do Executivo ou da pauta do partido na apresentação de projetos de lei. Caso sejam incapazes de fazerem articulações, deficitários de argumentações, os então líderes são formalmente substituídos por quem possua melhores condições.

No entanto, a palavra líder adquire um sentido translato quando vista sob outro prisma de observação – em especial quando tratamos de líder espírita. A definição que nos parece mais adequada para preencher o perfil do líder é “o verdadeiro líder é aquele que obtém a adesão livre e espontânea dos seus liderados”. Definição simples, completa, quaisquer acessórios que se lhe acrescentem tornam-se desnecessários.

Outubro é mês de importância fundamental para o movimento espírita de todo o Mundo. É o mês que comemoramos a data de nascimento do maior vulto do Espiritismo. Denizard Hippolyte Léon Rivail nasceu em 1804, na França, em plena efervescência da Revolução Francesa.

Em 1814, aos dez anos de idade fora levado para estudar na escola dirigida por Jean Henri Pestalozzi, na cidade suíça de Yverdun. À escola de Pestalozzi, fundada sobre a filosofia pedagógica de Jean Jacques Rousseau e de Comenius, afluíam alunos do mundo inteiro, cujo critério de admissão de alunos abolia totalmente diferenças de classes, de línguas, de raças ou de crenças – e foi onde ele começou a dar seus primeiros passos como Educador.

Recebia crianças não só vindas da França, dos cantões suíços, mas também da Alemanha, da Prússia, da Rússia, Espanha, do reino de Nápoles, até da América. Pestalozzi pretende inculcar na criança uma educação despida de preconceitos, fundada no sentimento da igualdade humana, da fraternidade e da tolerância.

Foi nessa escola famosa que o jovem Denizard começou a revelar seu espírito de liderança, que o distinguiria nos círculos brilhantes da intelectualidade francesa. Por sua notável inteligência superior, por sua capacidade de assimilar as lições do currículo escolar, ele várias vezes substituiu o velho mestre quando de sua ausência.

O biógrafo Henri Sausse escreve: “De fato, desde a idade de quatorze anos, o jovem Rivail explicava aos seus pequenos camaradas menos adiantados, as lições do mestre, que não tinham compreendido, mas que ele, com a sua inteligência aberta e ativa, tinha captado no primeiro enunciado”.

Mais tarde, em 1854, convidado a testemunhar fenômenos das mesas girantes que atraiam a curiosidade da sociedade francesa e de outros países, o senhor Denizard Rivail veio observar que as manifestações das mesas eram muito mais do que simples objetos de diversão. Conclui que por detrás dos fenômenos havia a ação de seres inteligentes, que se declararam haver sido homens que haviam transposto as fronteiras do túmulo, habitando agora um mundo até então desconhecido, o mundo dos Espíritos. Põe-se a investigar a fundo os fenômenos. Através de inúmeras experiências e de diálogos com “as almas dos mortos”, Rivail trabalha incansável e publica em 1857 O Livro dos Espíritos, que será a bússola para o conhecimento de uma “Ciência Nova”.

A partir de então, o nome Denizard Hippolyte Léon Rivail cede lugar para o surgimento de Allan Kardec, o grande líder espírita.  E ainda por durante doze anos, orientado por Espíritos da mais elevada estatura moral e intelectual, Allan Kardec escreve outras obras lítero-doutrinárias, derivadas de O Livro dos Espíritos. Em 1858 cria a Revista Espírita e funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a qual dirigiu até 31 de março de 1869 quando veio a desencarnar.

Em toda sua trajetória de vida patenteou-se o espírito de liderança com que o insigne Mestre se pautou.  Um líder espírita nato, qualidade que sem dúvida ele a desenvolveu ao longo de sucessivas reencarnações. E que neste mês de aniversário, transcorridos duzentos e quinze anos, nós, seus discípulos rendemos-lhe profundas reverências e merecidas homenagens, ainda que não estejam à altura da sua grandeza espiritual de Mestre.

Neste artigo mostramos a importância de Kardec como líder espírita. Mas em nosso Blog você encontrará outros artigos que mostram Kardec: o Homem, o Educador, o Codificador e o Dirigente Espírita. Convidamos a conferir esses textos e outros de nosso Blog.

Fonte de consulta: “Allan Kardec, Vida e Obra” de André Moreil.

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