Sempre que ocorre um grave acidente onde são vitimados um grande número de pessoas, vem à baila o chamado desencarne coletivo. Diante do horror causado e tentando explicar o acontecimento alguns espíritas levantam a hipótese de um “resgate coletivo”, ou seja essas pessoas seriam reunidas em um determinado local e dia por uma espécie de força magnética irresistível para resgatar “dívidas do passado”.

A base da Doutrina Espírita é a lógica da razão. Para aceitar a hipótese de “resgaste coletivo” precisaríamos torná-la fatalista e determinista, o que claramente ela não é, pois se baseia no livre arbítrio do indivíduo construindo o seu futuro – confira nosso artigo sobre previsões futuras.

Se os “desencarnes coletivos” estivessem dentro da Lei Divina para resgates coletivos por conta de dívidas passadas, não haveria nenhum responsável pelos acidentes, pois haveria uma programação divina para que isto acontecesse e, portanto, ninguém poderia evitar.

Sendo uma Doutrina de fé raciocinada, devemos imaginar que tipo de espíritos estariam ligados a esses acontecimentos para que eles ocorressem, reunindo pessoas em um determinado dia, em um determinado local, para que tudo saísse segundo as “determinações divinas”.

Qual a diferença, se isto fosse um fato, entre estes espíritos e os nazistas, que “convidando” prisioneiros para um banho, os levavam para as câmaras de gás?

A Doutrina Espírita é esclarecedora e, também, consoladora

Nossa Doutrina é esclarecedora, mas acima de tudo é consoladora baseada no entendimento do amor Divino. Como explicar para uma mãe, para um pai, um irmão, que perde seu ente querido, que tudo “já estava escrito” e que aquele ser querido que eles conheciam, estava ali por “dívidas de vidas passadas”.

Se buscarmos as explicações em O Livro dos Espíritos, que é a base doutrinaria para o conhecimento espirita – e não os romances que, independente de quem seja o médium ou o espírito, precisam ser analisados para verificar se há coerência com os fundamentos doutrinários -, saberíamos que, segundo a questão 728 da obra citada: “É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar porque  isso a que chamais destruição não é mais que transformação.”

Na questão 733 aprenderemos que “A necessidade de destruição diminui entre os homens, à medida que o Espírito supera a matéria; é por isso que o horror da destruição, vedes seguir-se o desenvolvimento intelectual e moral.”

Trouxemos apenas dois pequenos trechos de O Livro dos Espíritos em sua parte terceira, no capítulo VI, onde é tratada a Lei de Destruição, como uma lei moral. Somente uma Doutrina de tanta luz  poderia nos explicar algo que nos parece tão terrível, como necessário para nossa evolução moral.

Esses desastres nos fazem pensar em medidas que nos trarão um mundo melhor e com mais segurança. Estamos aprendendo com nossos erros a nos tornar pessoas melhores e o Deus vingador, que pune e castiga, o Deus de um povo, não faz parte da Doutrina Espírita, pois, como ensinou Jesus, Deus é pai e ama a todos, e está constantemente nos ensinando através de Suas Leis.

E você, o que pensa sobre o assunto? Deixe seus comentários no espaço abaixo porque queremos aprender com suas colocações.

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