A família vem mudando significativamente ao longo dos tempos e, junto com essas transformações, aumentaram também os desafios para manter um bom relacionamento entre os seus integrantes – e encontrar o verdadeiro significado para a vida.

A Casa Espírita, por acolher pessoas que passam por dificuldades no núcleo familiar e por ser disseminadora de informações valiosas sobre relações humanas, acaba exercendo um papel importante na busca por soluções que permitam à família uma melhor convivência.

Trata-se de uma tarefa essencial e, ao mesmo tempo, bastante complexa para a qual os colaboradores de diversos setores da instituição precisam estar devidamente preparados.

É evidente a necessidade de trabalho conjunto entre os vários setores da organização, uma vez que atender o núcleo familiar significa oferecer trabalho de qualidade nas áreas de Atendimento Fraterno, Grupos de Estudo, Reuniões Públicas (com temário que enfoque assuntos do cotidiano das famílias), Educação Espírita Infantojuvenil, eventos que permitam a participação de toda a família, etc.

Motivos que levam a família à Casa Espírita

De modo geral, são as mulheres que buscam as instituições em razão das dificuldades de relacionamento dentro do lar ou problemas ligados à saúde dela própria ou de algum membro da família. A família completa ainda é raro de se ver dentro das Casas, infelizmente.

 De modo geral, os principais motivos que levam a família a procurar a Casa Espírita são desequilíbrios no relacionamento, problema de desemprego do mantenedor, dificuldade com os jovens, problemas com vícios, ‘perda’ de entes queridos e problema de saúde.

Para poder acolher e orientar de modo correto essas pessoas que buscam o apoio das instituições em momento de grande vulnerabilidade é preciso ter departamentos estruturados para as crianças e os jovens, bem como grupos de estudos de qualidade para os adultos, desenvolvendo trabalhos em que toda a família possa ser envolvida, recebendo a todos com amor.

A família e o conhecimento Espírita

A Doutrina Espírita, quando bem entendida, proporciona o equilíbrio nas dificuldades. Por isso, é essencial que seus ensinamentos cheguem ao público de modo claro e coerente com os fundamentos existentes na Codificação. Assim, aqueles que passam por dificuldades encontram alívio e renovam a esperança – oferecer o passe espírita é importante, mas o conhecimento doutrinário não pode ficar em segundo plano.

O Centro Espírita que possui um trabalho de Educação Espírita Infantojuvenil de qualidade,  proporciona tranquilidade e segurança aos pais que desejam participar das atividades – muitos pais, aliás, passaram a frequentar o Centro Espírita por convite dos filhos que foram os primeiros a conhecer as atividades.

Outro ponto a ser pensado é abrir espaço para temas de interesse da família, sendo expostos por pessoas com competência na área, garantindo a correção nas informações – todos os temas podem ser abordados à luz do Espiritismo, seja com base em O Evangelho Segundo o Espiritismo, seja pautando-se nas demais obras da Codificação.

Assuntos como bullying, sexualidade, orientação vocacional, distúrbios de aprendizado, etc podem entrar na programação, oferecendo aos pais subsídios para enfrentarem os desafios familiares.

Ações da Casa Espírita devem envolver toda a família

Manter uma biblioteca com material direcionado para a família – livros, apostilas, artigos, entre outros – é uma ação simples, mas que pode gerar grandes resultados, inclusive levando informações para pessoas que nunca estiveram em um Centro Espírita, pois os frequentadores podem mostrar o material para amigos ou familiares gerando um retorno positivo para todos os envolvidos.

Não menos importante é que os eventos sejam pensados e organizados de modo a incentivar a participação de toda a família. Assim, nessas oportunidades, o frequentador poderá levar integrantes que raramente iriam à instituição – talvez, conhecendo melhor o ambiente da Casa e as pessoas que dela participam, possam se interessar em participar das atividades doutrinárias.

Também é muito importante que sejam realizadas atividades que permitam uma inter-relação entre os membros da família. E, levando em conta que nem sempre a Casa Espírita possui colaboradores em grande quantidade e/ou com o conhecimento específico para alguns casos, parcerias podem ser uma saída para dar o apoio às famílias.

Entre elas com: clínicas de psicologia e  com instituições como AA (Alccolicos Anônimos) e Nar-Anon, que oferecem atendimento a dependentes químicos e seus familiares.

A Doutrina Espírita como melhoria do relacionamento da família

Kardec nos ensina que o Espiritismo bem compreendido e, sobretudo, bem sentido leva à melhoria do ser humano, que passa a estudar suas próprias imperfeições, compreendendo-as e trabalhando para minimizá-las.

Um lar equilibrado só existe com a prática da Lei de Amor, Justiça e Caridade. Isso exige mudanças simples como evitar confrontos desnecessários, tratar a todos com respeito e buscar melhorar a si próprio – sem exigir que o outro proceda da forma que consideramos ser a ideal.

As crianças e jovens participam desse processo. E é comum que os menores que têm acesso aos ensinamentos espíritas passem a ter uma conduta diferente, inclusive questionando atitudes e conceitos de adultos, tirando-os de sua zona de conforto e forçando-os a buscar conhecimento espírita para satisfazer os questionamentos de seus filhos.

Refletir sobre a família é muito importante e a Doutrina Espírita tem muito a oferecer, por propiciar um conhecimento racional que ajuda a um maior entendimento sobre os relacionamentos familiares. Para isso, no entanto, a Casa Espírita precisa se preparar para ser mais acolhedora e propiciar o acesso ao conhecimento espírita.

Sabemos que, pela importância, este texto não finaliza o assunto. Nesse sentido, convidamos nossos leitores a darem sua colaboração para tão importante debate, deixando suas considerações sobre o tema.

Share This