Quem participa de uma Casa Espírita, certamente, já ouvi falar em Codificação Espírita. Mas o que significa e por que é tão importante?

Acompanhe este artigo e descubra porque ela deve ser a base de toda atividade em uma instituição destinada a estudar e divulgar o Espiritismo.

 Codificação Espírita: cerca de 8 mil páginas produzidas pelo Codificador

Chamamos de Codificação Espírita o conjunto de obras elaboradas através do minucioso trabalho de Allan Kardec – que teve início em 1855 e se encerrou em 1869, com seu desencarne.

São cerca de 8 mil páginas de conteúdo inigualável e único que não podem ser deixadas de lado sob pena de desvirtuarmos os ensinamentos espíritas – acesse aqui obras da Codificação Espírita.

Para grande parte dos espíritas, cinco obras (chamadas por muitos de Pentateuco Espírita) compõem os fundamentos da Doutrina Espírita. São elas:

  • O Livro dos Espíritos (1857)
  • O Livro dos Médiuns (1861)
  • O Evangelho segundo o Espiritismo (1864)
  • O Céu e o Inferno (1865)
  • A Gênese (1868)

Obs.: entre parênteses o ano de lançamento de cada livro

Sim, esses livros compõem a Codificação Espírita, porém, existem outras obras elaboradas através do trabalho do Codificador.

Em outras palavras, todas as obras que levam a assinatura de Allan Kardec, fazem parte da Codificação Espírita.

Assim, a lista anterior aumenta com os títulos que seguem:

  • Revista Espírita – coleção disponível em coletâneas anuais, entre 1858 e 1869 (sendo que Kardec foi o editor até o volume de abril de 1869)
  • O que é o Espiritismo (1859)
  • O Espiritismo em sua expressão mais simples (1862)
  • Viagem Espírita em 1862 (1867)

Também devemos citar o quase desconhecido Catálogo Racional de Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita (abril de 1869) e O Principiante Espírita (editora O Pensamento) e A Obsessão (editora O Clarim).

Todos esses livros são fruto de trabalho minucioso – onde critérios rigorosos foram estabelecidos e seguidos pelo líder espírita -, devendo ser estudados para que possamos compreender os fundamentos da Doutrina Espírita e evitar incoerência doutrinária – como veremos no próximo tópico.

 Como proceder em relação a outras obras, fora Codificação Espírita?

Temos inúmeros livros e autores na literatura espírita, mas devemos saber que nem todo livro identificado como espírita deve ser considerado, de fato, uma obra espírita.

Para começar há uma falsa ideia de que todo livro psicografado é espírita. Na verdade a mediunidade não é exclusividade do Espiritismo, podendo ocorrer no meio de outras religiões, doutrinas e mesmo fora delas e, assim, ser instrumento para produção de uma obra.

Dessa maneira, para saber se uma obra merece o título de obra espírita devemos analisar seu conteúdo e considerar que Só é espírita o livro que estiver de acordo com os fundamentos doutrinários – contidos na Codificação Espírita, como já mencionamos anteriormente.

Isso não significa, obviamente, que não devemos ler/estudar outros autores e outras obras. Todos podem ser lidos, mas tendo o senso crítico apurado, comparando as informações com os fundamentos da Codificação Espírita.

E, vale reforçar, isso vale para todo autor/obra!

Havendo partes conflitantes com a Codificação Espírita, devemos descarta-las e ficar com a base doutrinária.

Por outro lado, se a informação for uma novidade, nosso dever é adotar os critérios estabelecidos por Allan Kardec quando efetuou as pesquisas que deram origem ao Espiritismo – entre eles, os dois principais:

  1. Universalidade das Comunicações: um novo conceito não surge através de um só médium/instituição, mas de vários grupos – Kardec enviava suas perguntas para vários médiuns que não se conheciam e, depois, as comparava para ver a concordância.
  2. Passar pelo crivo da razão: passando pelo primeiro controle, a mensagem deve ser racionalmente avaliada para ser considerada espírita.

Além disso, a informação deve ser pesquisada na Codificação Espírita. Mesmo que não haja citação específica sobre o novo tema, outras informações poderão servir de parâmetro para análise da “novidade”.

A Codificação Espírita é uma bússola segura a ser seguida e, sendo Espíritas, nosso dever é preservar a coerência dos princípios doutrinários, evitando que conceitos equivocados sejam incorporados ao Espiritismo sem os devidos critérios.

Acesse o infográfico De Rivail a Kardec: a trajetória de um grande missionário e saiba mais sobre o trabalho do Codificador.

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