Os primeiros exemplares de O Livro dos Espíritos, saídos da Tipografia de Beau, em Saint-Germain-en-Laye, cidade vizinha a Paris, foi lançado na noite de 18 de abril de 1857, na Livraria Dentu, localizada no Palais Royal, e tinha 501 questões.

O livro rapidamente correu o mundo e criou polêmica, provocando protestos de padres e cientistas céticos, mas atraindo a atenção de outros médiuns, que entraram em contato com Kardec. Nascia aí Kardec, O Dirigente Espírita.

A necessidade de compilar e acima de tudo pesquisar o conhecimento trazido pelos Espíritos, fez com que o Professor Rivail, inicialmente cético das manifestações das mesas girantes, se organizasse para trazer ao mundo o Espiritismo, uma ciência que estuda a origem, a natureza e o destino dos Espíritos, e sua relação com o mundo corporal.

Para isso, cria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, legalmente fundada em 10 de abril de 1858. Deixemos que o próprio Kardec, O Dirigente Espírita, nos relate como surgiu a ideia de criar essa sociedade – o texto abaixo consta nas páginas da Revista Espírita, edição de Abril de 1860:

Lembrai-vos, Senhores, da maneira pela qual se formou a Sociedade. Eu recebia em minha casa algumas pessoas em pequeno comitê. Com o crescimento do grupo, acharam que era preciso um local maior. Para consegui-lo, teríamos de pagar; tivemos, portanto, que nos cotizar. Disseram mais: é preciso ordem nas sessões; não se pode admitir o primeiro que chegar; é necessário, portanto, um regulamento. 

Eis toda a história da Sociedade. Como vedes, é bem simples. Não entrou na cabeça de ninguém fundar uma instituição, nem se ocupar do que quer que seja fora dos estudos; eu próprio declaro, de maneira muito formal, que se um dia a Sociedade quiser ir além, não a acompanharei.

Em resumo, o que devemos buscar é remover todas as causas de perturbação e de interrupção; manter entre nós as boas relações, de que os espíritas sinceros, mais que outros, devem dar exemplo; opor-nos, por todos os meios possíveis, ao afastamento da Sociedade de seus objetivos, à abordagem de questões que não são de sua alçada, e que degenere em arena de controvérsias e de personalismo.

Vemos que Kardec, O Dirigente Espírita, cria regras claras. Vejamos:

  • A necessidade de se cotizar para as despesas, para isso o membro pagava uma anuidade,
  • “não se pode admitir o primeiro que chegar”, a admissão de um associado seguia um rigoroso processo de aprovação que, entre outros critérios, exigia a fiança de dois membros titulares e conhecimentos prévios da doutrina.
  • o objetivo era claro: estudo da ciência espirita, nada além disso, se a Sociedade mudasse seus objetivos, ele não os acompanharia.

Esta aparente rigidez de propósitos do Dirigente Espírita nos legou a ampliação de O Livro dos Espíritos em 1860 – deixando-o como o conhecemos hoje, com 1019 questões -, e a publicação de O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese e a magistral obra da Revista Espírita.

Se tivéssemos permanecido no firme propósito do fundador do primeiro Centro Espirita no mundo talvez o Espiritismo pudesse ser o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra, como nos alertou Herculano Pires em seu livro O Centro Espírita.

Se você gostou de refletir sobre Kardec, O Dirigente Espírita, confira em nosso blog outros artigos sobre a Doutrina Espírita. Aproveite, também, para baixar o Infográfico “De Rivail a Kardec: a trajetória de um grande Missionário”, com os passos do Codificador da Doutrina Espírita.

 

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