No mês que é comemorado o “Dia de Finados”, propomos uma reflexão pouco comum.

A morte costuma ser um tema indigesto para a grande maioria das pessoas, inclusive os Espíritas. E se ela é um tabu para os adultos, como lidar com o luto infantil? Acompanhe e descubra!

A forma como a criança lida com o luto está ligada à sua educação sobre o tema

Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra suiça desencarnada em 2014, afirmava que as crianças reagem à morte conforme a maneira como foram criadas antes do momento de um falecimento ou funeral. Se os pais não têm medo, se não pouparam os filhos das situações de perdas significativas, como por exemplo, a morte de um bichinho de estimação, dificilmente haverá problemas graves com a criança ao se defrontar com o desencarne de um ente querido, atravessando o luto infantil de modo mais brando.

Segundo ela e outros especialistas, a forma como nos comunicamos com os pequenos também contribui para uma melhor ou pior aceitação. Utilizar expressões como “afinal descansou” ou “foi dormir com Papai do Céu” podem fazer a criança acreditar que a pessoa poderá voltar após um período de repouso, gerando sentimentos ruins ao perceber que tal fato não ocorrerá.

Falar a verdade, acolhendo o pequeno, dando suporte emocional e recorrendo ajuda profissional, se necessário, é sempre o melhor caminho.

Os ensinamentos espíritas ajudando a lidar com o luto infantil

Se o desencarne é inevitável e precisamos aceitá-lo de forma mais natural, nada melhor do que oferecermos às crianças o acesso às informações espíritas, tão importantes para entender e superar o luto infantil.

Tendo conhecimento dos ensinamentos doutrinários, os pequenos saberão que o Espírito é imortal e que, após a morte do corpo físico, ele continua vivendo em outro plano. Saberão, ainda, que todos vivem múltiplas existências e que não nos separamos em definitivo daqueles que amamos.

Em minha experiência como Educadora Espírita da Infância, já passei por dois momentos muito marcantes relacionados a desencarne. Em um deles, um garotinho de 4 anos foi o responsável para fazer a avó aceitar a morte do companheiro de décadas de convivência, explicando-lhe conceitos doutrinários. Usou como ponto de partida um desenho que mostrava o corpo físico do avô sem vida, mas o Espírito livre e feliz.

Em uma outra situação, mais difícil,  tivemos que contar para uma menina de 5 anos que a mãe desencarnara – pedido do pai, que não tinha coragem para conversar com ela. Toda nossa equipe de Educadores se reuniu para definir a estratégia mais adequada e combinamos de fazer um apanhado sobre os temas relacionados (reencarnação, vida no plano espiritual, reencontro entre os que se amam, etc) em todas as reuniões da noite.

Após revisarmos esses conceitos a levamos para um espaço reservado e demos a notícia, recebida com  tristeza, mas resignação. Enquanto isso, os demais Educandos também recebiam a informação e, antes de irem embora, todos demonstraram solidariedade à amiga, em um momento mágico que só crianças podem nos proporcionar.

Um acampamento para ajudar a superar o luto infantil

Em minhas buscas por materiais interessantes para o trabalho com infância e juventude, assisti um documentário chamado “Último abraço: três dias no acampamento do luto”, sobre um alojamento anual (Georgia, EUA) que ajuda crianças e adolescentes a superarem a ausência de um ente querido que desencarnou, a atravessarem o luto infantil.

O local oferece brincadeiras e atividades comuns a um acampamento, mas  tudo é supervisionado por equipe especializada em luto infantil e juvenil, tendo por objetivo ajudar os menores a processar sua dor e continuar sua caminhada com alegria.

Os casos relatados me chamaram a atenção. Todos os que não puderam se despedir adequadamente, demonstravam revolta. Para tanto, criaram uma espécie de despedida simbólica, com uma carta escrita para a pessoa que morreu, onde a criança colocava tudo o que sentia. Algo muito intenso e tocante.

A maioria dos que só souberam da doença do ente querido após a partida, dizia estar com  raiva de quem escondeu algo tão importante. Segundo eles, se soubessem a verdade, teriam aproveitado melhor o tempo que restava.

Caso de três irmãos adolescentes que se disseram feliz por terem acompanhado o pai (vítima de um câncer) em todas as etapas da doença e que, apesar da saudade, ficaram aliviados com o desencarne, tendo em vista o sofrimento dele.

Ao final do acampamento, era possível notar o alívio nos semblantes dos participantes e dos pais (ou responsáveis) que, ao irem buscá-los ao final do acampamento, afirmavam notar a diferença em seus filhos, após processarem melhor esse luto infantil/juvenil.

Apesar de reconhecer o belo e eficiente trabalho do alojamento, não pude me furtar ao pensamento de que o apoio psicológico somado aos conhecimentos espíritas podem ofertar muito mais consolo aos que passam pelo luto, inclusive o luto infantil. Afinal, além de equilíbrio e resignação, eles nos despertam a esperança!

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Texto baseado no texto originalmente publicado pela autora na Revista O Clarim, em março/2016

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