Quem nunca ouviu (ou fez) as seguintes perguntas ou comentários em uma reunião mediúnica:

  • Ah, senti uma vontade de escrever/ou falar, mas achei que não era nada;
  • Fiquei com uma frase martelando em minha cabeça na reunião inteira, mas fiquei com receio de por no papel;
  • Acho que era coisa da minha cabeça;
  • Escrevi, mas não tem nada a ver.

Essas, e outras frases semelhantes, colocam em dúvida o teor da comunicação ou a própria capacidade mediúnica. Mas são questionamentos naturais – salvo casos onde a mediunidade é mecânica -, sendo importante grupos mediúnicos coesos, onde haja respeito, amizade, cooperação e conhecimento da doutrina.

Vejamos a importância de cada um desses itens a seguir.

Conhecimento

Na Codificação, Kardec nos alertou várias vezes que, dependendo do grau de adiantamento do espirito comunicante, nem sempre uma mensagem pode ser boa, inteligível, correta e em consonância com os ensinamentos Espíritas.

Por isso, o Codificador sempre frisou que a análise de toda mensagem mediúnica recebida, independente do médium que a recebeu, é fundamental!

Coesão


Em um grupo onde todos opinam fraternalmente e os conhecimentos doutrinários estão equilibrados, seus membros tornam-se mais seguros a exercer a mediunidade e para  saber que o material produzido através deles pode ser bom ou não.

E que mesmo sendo apenas transmissores da mensagem, e não autores dela, cabe a eles (os médiuns) um grande esforço para melhorar os pensamentos, os propósitos e a sintonia com aqueles dos quais são instrumentos.

Respeito, amizade e cooperação

Atributos essenciais para qualquer trabalho em grupo, seja ele mediúnico, dentro de uma casa espirita ou não!

Quem se propõe a trabalhar em grupo deve possuir ou se esforçar para adquirir essas qualidades, senão corre grande risco de deixar que aflore outros tipos de sentimentos mais perniciosos, como o orgulho, a vaidade e o melindre – palavra muito presente dentro do meio espirita, curioso, não?!

Mas esses atributos, que tornam a reunião mais prazerosa – existe algo melhor do que estar entre amigos? – torna o ambiente mais aconchegante e protegido.  Também deixa os médiuns mais seguros por saber que não serão “julgados” pelos seus pares, mas que aprenderão uns com os outros.

Permite que, voltando ao parágrafo inicial deste texto, possam colocar a primeira frase que veio a mente, mesmo achando que aquilo é de sua cabeça. Quem sabe, após aquela única frase que ficou martelando em sua mente a reunião inteira, não virá um texto bonito e riquíssimo em ensinamentos, dos quais ele  não tinha a menor ideia?

Tendo como base o respeito, a amizade e a cooperação,  a mensagem será analisada com o conhecimento e afeto de que aquele grupo é portador. E se a mensagem não for considerada boa, não significa que o médium é ruim.

Pelo contrário, o médium fez exatamente aquilo que estava destinado a fazer: transmitir o recado de um outro Espírito!

Como podemos ver, confiar uns nos outros é essencial para que o trabalho mediúnico possa fluir da melhor forma possível, sendo os médiuns bons intérpretes dos recados trazidos pelos companheiros desencarnados.

Importância de um bom intérprete para as reuniões mediúnicas

Um bom interprete ou tradutor é aquele que repete, dentro de um idioma que conhece, aquilo que seu interlocutor está dizendo e não aquele que explica com suas palavras algo que não é do conhecimento ou produção intelectual dele.

Por conta de atividades profissionais, tive duas experiências de trabalhar com um tradutor/intérprete do idioma alemão para o português.

A primeira, uma pessoa de boa vontade, com pleno conhecimento dos dois idiomas, mas que a todo custo tentava entender algo que não era do seu conhecimento para, então,  explicar com suas próprias palavras um assunto que não compreendia.

O resultado foi trágico. Aquilo que ele nos falava não fazia o menor sentido (algo como a brincadeira do telefone sem fio), as palavras e termos utilizadas por ele eram até engraçadas, porque não eram de um vocabulário técnico – no outro dia dispensamos o tradutor e preferimos nos comunicar em inglês, língua comum para ambas as partes.

Na segunda experiência optamos por um tradutor/intérprete profissional. O que ele fazia? Repetia, palavra por palavra, tudo que a pessoa falava em alemão para o português – igual papagaio, como ele mesmo dizia.

A todo momento nos perguntava: “Vocês estão entendendo? Porque eu não estou entendendo nada, só estou repetindo o que ele está dizendo”.  E para nós fazia todo o sentido porque a análise do conteúdo cabia a nós e não a ele!

Entre os dois intérpretes, quem foi o melhor “médium”? Claro que aquele que transmitiu o recado conforme o recebeu, sem tentar dar toques pessoais.

Então, na duvida, coloque no papel e confie sempre no grupo em que estiver inserido. E, acima de tudo, analisem todas as mensagens recebidas.

E nunca é demais frisar: a análise é da mensagem e não do médium!

Obs.: Sobre o assunto, sugere-se a leitura do artigo “Diferentes Naturezas das Manifestações”, de Allan Kardec – Revista Espírita, Janeiro/1858.

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