Então é Natal, a festa cristã. E muitos de nós espíritas, ainda apegados às tradições de outras religiões, repetimos em nossas casas os costumes da época, sem questionamentos e esquecendo que a Doutrina Espirita valoriza o fato do nascimento e não do como foi.

Uma análise um pouco mais profunda mostra que nem mesmo os evangelistas se entenderam sobre o nascimento de Jesus. Vejamos:

O anúncio do nascimento

Mateus

Fala da descendência de Jesus “Filho de Davi, filho de Abrão………..Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus”.

Repare que a geração (descendência) é sempre do homem. Nos relatos desse evangelista Maria já era esposa de José, mas não haviam coabitado. Assim, Jesus é obra do Espírito Santo, justificando os profetas “Eis que a virgem conceberá e dará a luz a um filho homem e o chamarão pelo nome de Emanuel” (Deus conosco).

“E (José) não a conhecia até que deu à luz, seu filho primogênito e pôs-lhe o nome de Jesus (portanto o nome é dado por José)”.

Lucas

O Anjo Gabriel anuncia “darás à luz um filho e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Maria não conhecia José ainda”.

Maria vai visitar sua prima Isabel (mãe de João Batista) e lá, com a saudação da prima e a reação da criança no ventre de Isabel, descobre que está grávida.

Comentários

 Mateus

Neste texto sobre o Natal, começamos falando da genealogia, pois os profetas afirmavam que o Cristo seria da descendência de Davi. Portanto teria que ser filho de José.

Maria já era esposa, mas não haviam coabitado. Podemos entender que já havia o comprometimento do casamento, mas que ainda não havia se realizado. Portanto, Maria conhecia José.

Quanto ao nome, o Anjo sugere Emanuel, mas José dá o nome de Jesus.

Lucas

Maria não conhece José.

O nome da criança é determinado pelo Anjo Gabriel, que estabelece Jesus, sendo esse nome adotado por Maria.

A virgindade de Maria está ligada à ideia de que o ato sexual é um pecado natural sendo, portanto, impuro – baseado no Livro de Jó de que nada puro pode ser gerado por um ato impuro. Sendo muito difícil para a época aceitar que Jesus fosse gerado por um método natural, já que para eles, o Nazareno seria o filho de Deus.

Mas não devemos nunca esquecer o ensinamento de Jesus – o verdadeiro significado do Natal: “Eu não vim para destruir a lei, mas sim para dar cumprimento”.

Local do Nascimento

Mateus

Fala da cidade de Belém, na Judéia. José e Maria seriam dessa cidade e o nascimento se dá em casa. Não cita recenseamento nem estrebaria. Também cita a visita de Magos, mas em nenhum momento fala em três, os presentes são feitos de ouro incenso e mirra.

No episódio da fuga para o Egito, Herodes manda matar todos os meninos que havia em Belém e seus arredores. José sonha e foge para o Egito e fica lá até a morte de Herodes, cumprindo-se o que fora dito pelo profeta “do Egito chamei meu filho”.

Mateus deixa claro que José e Maria não eram de Nazaré, mas vão para lá, pois na Judéia reinava Arquelau, o filho de Herodes. Indo, então, para a Galiléia morar na cidade de Nazaré para que se cumprisse a profecia “Será chamado Nazareno”.

Lucas

José e Maria viviam em Nazaré na Galiléia e por ordem de César Augusto vão para Belém na Judéia, para o recenseamento, pois José era da Casa de Davi.

Fala da manjedoura, já que a cidade estava cheia e não havia lugar na estalagem. O nascimento é anunciado aos Pastores “Gloria a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade”.

Os pastores visitam Jesus, não há citação a Magos e nem presentes. E depois que se completaram os oito dias para ser circuncidado, foi-lhe posto o nome de Jesus.

Após serem concluídos os dias da purificação de Maria, segundo as leis de Moisés, levaram-no à Jerusalém e o apresentaram ao Senhor “conforme a lei, todo varão primogênito será consagrado ao Senhor”, sendo oferecidas duas pombas em sacrifício.

E depois de terem cumprido tudo segundo o que mandava a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, para a sua cidade, Nazaré.

Comentários

Mateus

Maria e José seriam de Belém e estavam em sua casa quando do nascimento de Jesus, porém esse evangelista tenta de toda maneira enquadrar o nascimento de Jesus às profecias.

Recria a saga de Moisés e a perseguição dos escolhidos. A perseguição na matança do Faraó à Moises é substituída pela de Herodes aos recém nascidos. Como Moisés vem do Egito para salvar o povo Judeu, Jesus é levado ao Egito para de lá vir cumprir as profecias.

Conclusão – O Natal da visão Espírita

Somos Espíritas. Temos que raciocinar como Espíritas. Um Espírito altamente esclarecido que vem para implantar a felicidade no coração dos homens, trazendo-lhes a Boa Nova, permitiria que alguém morresse para que ele se salvasse, especialmente crianças inocentes?

Na visita ao recém-nascido, Mateus traz Magos para falar da importância do nascimento – o significado da palavra Natal, aliás, é nascimento. Lucas traz pastores, na escala de importância material a mais simples das categorias, o que me parece muito mais condizente com a mensagem de Jesus.

Já Lucas, define claramente que Maria e José viviam em Nazaré, na Galileia. Fala do recenseamento, fato comum nos atos administrativos romanos. Faz do nascimento – Natal – algo normal cumprindo-se todas as tradições Mosaicas. Não há perseguição, matança, fuga, o ciclo é completado normalmente.

Cumpre a cada um de nós tirar as conclusões e buscar dentro dos ensinamentos Espíritas o que nos parece mais lógico em relação ao significado de Natal, fortalecendo a importância do nascimento, não misturando com presentes, cestas básicas e Papai Noel e, principalmente, não dando aos bens materiais maior importância do que aos espirituais.

Independentemente do dia de nascimento de Jesus (e dos reais acontecimentos da ocasião), a equipe Café com Kardec deseja que no Natal – e sempre – seja de reflexão sobre os ensinamentos deixados pelo aniversariante. Desejamos, também, que continuem a acompanhar nosso Blog, feito sempre com muito carinho e respeito à Codificação!

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