O Livro dos Espíritos comemora 164 anos de seu lançamento. São 164 anos de Conhecimento Espiritual, racional e altamente consolador.

Acompanhe este texto que é uma pequena homenagem ao nascimento da Doutrina Espírita e que tornou o Professor Rivail conhecido, em todo o mundo, como Allan Kardec.

Primavera parisiense: nasce O Livro dos Espíritos

A primeira publicação de O Livro dos Espíritos foi aos 18 de abril de 1857. A segunda, aos 18 de março de 1860. Ambos, dias de primavera em Paris.

A primavera traz luz e calor na terra castigada pelo sombrio e frio inverno. Assim como a primavera, O Livro dos Espíritos trouxe a luz e calor do conhecimento espiritual sobre as importantes questões não solucionadas pelos mais notáveis filósofos de todos os tempos.

Não é sem sentido que o nome d’O Livro dos Espíritos é “Filosofia Espiritualista O Livro dos Espíritos.”

Graves assuntos da temática filosófica, tais como: Deus; Espírito (Ser); Matéria; e, Moral tiveram seus conceitos profundamente alterados pelos ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos.

Vejamos cada um, em breves considerações da grande obra assinada pelo Codificador Allan Kardec.

  1. Deus, existência e atributos

Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de Todas as Coisas.” “Deus é Eterno, Imutável, Imaterial, Único, Todo Poderoso e Soberanamente Justo e Bom. O conceito é revolucionário. Deus não é velho nem jovem.

Não é homem nem mulher. Não é uma trindade. Tampouco é um Espírito. A prova de sua existência admitida pela Doutrina Espírita é a causalidade. O universo é o efeito perfeito e inteligente, logo a Causa (Deus) é uma Inteligência Suprema.

  1. Espírito (Ser)

O Livro dos Espíritos informa que o Ser, ou Espírito, foi criado por Deus simples e ignorante. Simples no sentido de único, de indivíduo. E, ignorante no sentido de sem conhecimento.

O Conhecimento consiste na evolução intelecto-moral, que será obtida paulatinamente pelo Espírito, posto que submetido à Lei do Progresso, expressa na emblemática frase: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Tal é a Lei.”

Nesta sentença, verificamos que a evolução ocorre através de inúmeras existências no corpo carnal, através da Reencarnação, a qual explica o funcionamento da justiça divina.

Portanto, o Espírito não será condenado a penas eternas por seus erros durante a fase de aprendizagem ou progresso espiritual. Ele corrigirá seus equívocos por si mesmo por meio das diferentes existências corporais. Até que não seja mais necessário seu aprendizado em corpos materiais.

Aqui, agem a bondade e a justiça divinas. Pela infinita bondade Deus concede ao Espírito todo o tempo, todos os meios e todas as oportunidades necessárias à correção dos seus desacertos, bem como à sua evolução.

Pela soberana justiça, Deus determina que o Espírito é o responsável por seus equívocos e acertos. Deus não dá privilégios aos Espíritos. Todos são rigorosamente iguais perante Ele.

Todos evoluem pelos seus próprios méritos. Por outro lado, os Espíritos também não ficam num céu contemplativo e inerte. À medida que progridem  passam a colaborar com Deus nos infinitos trabalhos existentes no universo de forma consciente.

  1. Matéria

O Livro dos Espíritos demonstra que existe uma matéria primordial, elementar, a qual é suscetível de passar por todas as transformações e adquirir todas as propriedades, confirmando o entendimento de que tudo está em tudo.

Esta revelação resolve todas as questões suscitadas pelos filósofos pré-socráticos em relação à suas indagações sobre de que substância eram feitas as coisas da natureza.

  1. Moral

 

O Livro dos Espíritos revela que a evolução moral decorre do conhecimento das leis divinas. Este conhecimento está elucidado em “As Leis Morais” e em “Esperanças e Consolações”.

Estas partes da obra mostram que o Espírito está destinado ao progresso, à constante e infinita evolução moral e intelectual.

Não está sujeito ao Inferno, não está submetido às Penas Eternas. Está sim destinado às infinitas formas de labor existentes no universo.

O Livro dos Espíritos – Consequências

O Livro dos Espíritos gerou a Doutrina Espírita, que consiste no desenvolvimento dos temas suscitados por ele.

Para a consolidação ou codificação da Doutrina Espírita, Kardec criou dois ambientes de estudo e pesquisa do Espiritismo.

A Revista Espírita e a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. E, em decorrência deles publicou vários outros livros que aprofundaram os assuntos analisados no Livro dos Espíritos. Vejamos cada um deles em breves notas.

Revista Espírita (RE)

Com a Revista Espírita (RE) cujo primeiro número veio a lume em primeiro de janeiro de 1858, Kardec inaugurou o ambiente mundial para a discussão e análise dos fenômenos espíritas.

Através dela, Kardec pautava os temas e rumos do Espiritismo, fazendo-o ciência prática de observação e doutrina filosófica. Este canal pode ser hoje comparado a um “site” da doutrina.

A RE tinha assinantes nos principais países do planeta, que correspondiam com o Codificador, noticiando fatos, emitindo suas opiniões.

Nela, Kardec respondia aos artigos de jornais e revistas que atacavam a Doutrina. Naquela época não havia o “direito de resposta”.

Kardec também utilizou a Revista Espírita para publicação de partes dos livros que seriam publicados em continuação ao Livro dos Espíritos. Por tudo isso, a RE merece um estudo aprofundado.

Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE)

No dia 1º de abril de 1858, três meses após a publicação da Revista Espírita, Kardec inaugurou a “SPEE”, composta pelos ilustres pesquisadores da época domiciliados em Paris, ou em visita à “Cidade-Luz”.

A sede da “SPEE” foi o púlpito em que os Espíritos Superiores dialogaram com Kardec sobre os profundos temas da Doutrina Espírita. Por outro lado, o estatuto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas serviu e serve como base para a criação de Casas Espíritas até hoje.

Demais livros da Codificação Espírita

A partir dos assuntos tratados em O Livro dos Espíritos e discutidos na Revista Espírita e na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Kardec escreveu os demais livros da Codificação. Assim é que em O Livro dos Médiuns analisou a comunicação entre os Espíritos encarnados e desencarnados, bem como a veracidade das mensagens dos Espíritos na Erraticidade.

Já nos livros O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno, Allan Kardec, revisitou os temas referentes às questões morais, à Lei de Deus, às penas e recompensas futuras.

No livro O Que é o Espiritismo foi apresentado o resumo dos Princípios da Doutrina Espírita e a resposta às principais objeções dos adversários do Espiritismo.

Por fim, em A Gênese, Kardec, faz uma comparação entre a ciência humana da época e a ciência espírita.

Importante ressaltar, que todos os livros da Codificação Espírita, ou seja, todos os livros escritos por Allan Kardec, decorrem diretamente de O Livro dos Espíritos.

Por derradeiro, a melhor homenagem que podemos fazer ao Livro dos Espíritos é estudá-lo com seriedade, continuidade e de forma metódica, ou seja, começando pelo início e seguindo o seu encadeamento de ideias.

O Livro dos Espíritos é o nosso manual de vida. Somos Espíritos! O Livro é “dos Espíritos”, ou seja, é o nosso Livro!

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