Quais os principais desafios que envolvem o retorno às atividades infantojuvenis após a pandemia provocada pelo novo coronavírus? Como as instituições têm lidado com o distanciamento social e garantido o acesso à Educação Espírita aos mais novos durante a Covid-19? O que a área deve esperar da volta às atividades?

Essas são algumas reflexões propostas neste texto, voltado ao novo normal nas Casas Espíritas, com foco nas atividades infantojuvenis!

Desafios da área infantojuvenil nas Casas Espíritas antes da Covid-19

Ainda que nosso foco principal seja o pós-pandemia, acho importante voltarmos ao período anterior à Covid-19 para entender os obstáculos enfrentados pelos trabalhadores de infância e mocidade espíritas.

Não eram poucos, mas podemos destacar os principais abaixo:

  • Falta de trabalhadores, muitas vezes levando à execução da recreação e não educação à luz do Espiritismo;
  • Despreparo dos colaboradores, não raramente convidados a exercer a função sem, antes, ter estudado a Codificação;
  • Descontinuidade da atividade – é comum que a atividade comece, termine e retorne, começando do zero, em um mesmo ano;
  • Adoção de técnicas antigas, que devem ser respeitadas e servir de base, mas que precisam ser adaptadas ao perfil atual dos Educandos;
  • Aulas criadas individualmente, com cada Educador tendo sua turma e desenvolvendo e aplicando as aulas sozinho;
  • Falta de avaliação, dificultando o aperfeiçoamento da tarefa, bem como que ela crie raízes dentro da instituição;
  • Isolamento do setor, que deveria estar integrado à estrutura geral da Casa Espírita;
  • Desvalorização da atividade, levando os pais a terem pouco comprometimento com a presença constante de seus filhos nas reuniões.

Vale lembrar que essas barreiras não acontecem em todas as Casas Espíritas, mas grande parte delas – infelizmente – passam por essas dificuldades. Todas levantadas a partir de informações espontâneas dos próprios Educadores Espíritas, através de meios eletrônicos e em encontros ocorridos em várias cidades (em São Paulo e fora dele, haja vista cursos à distância que realizamos desde 2008).

 

Desafios das atividades infantojuvenil durante o isolamento social

Achei importante listas as dificuldades acima porque, obviamente, elas afetaram as equipe no período de isolamento social, somando-se ao grande desafio de fazer com que as atividades chegassem até os mais novos.

Além disso, outros pontos que precisaram ser superados foram, principalmente:

  1. Reestruturação das atividades diante do novo normal nas Casas Espíritas

Foi preciso rever todo o planejamento porque, ainda que o objetivo continue sendo a transmissão dos ensinamentos doutrinários contidos na Codificação Espírita em uma linguagem acessível a cada turma, as ferramentas tradicionais adotas nas reuniões presenciais precisaram ser substituídas.

Além disso, foi necessário incluir no plano de estudos, a situação atual. E isso, claro, demanda tempo para discussão, adaptação e prática – o que fica mais complexo considerando o exposto no item anterior.

Na equipe da qual faço parte, ficamos alguma semanas nos reunindo virtualmente para traçar o caminho durante a pandemia – mas deu certo, no final! 

  1. Encontrar canal de comunicação que atenda todos os Educandos.

Conforme informação dos próprios Educadores, as lives foram a ferramenta preferida para dar continuidade ao trabalho. De fato, trata-se de um canal muito eficiente, desde que haja o devido planejamento.

Porém, nem todos os Educandos têm acesso à internet. Além disso, o uso maciço do mundo virtual para o estudo e lazer (por conta do home office, muitos pais passaram a recorrer ao online para entreter os filhos) também pode gerar cansaço, em alguns momentos, aos mais novos – e se esse cansaço for bem na hora do estudo espírita?

Outro ponto diz respeito àqueles Educandos que não acessam sozinhos a internet, gerando dependência dos pais e responsáveis para que possam participar. Havendo colaboração, é uma ótima oportunidade, também, de aproximação com a equipe e de ter maior conscientização do valor do trabalho.

Em nossa Casa Espírita, adotamos um modelo híbrido, com lives mais curtas (para não ser maçante) e envio de material especialmente desenvolvido para as atividades, via WhatsApp. Assim, eles editam sobre o tema durante a semana e no dia da vídeoconferência, papeamos – tem dado certo.

Já com os jovens, esse item não é um problema, haja vista que usam canais virtuais constantemente. Aliás, muitas Casas Espíritas mantiveram suas atividades graças ao apoio dos mais novos, com seu conhecimento de canais virtuais!

  1. Manter motivação do Educando em atividades à distância

Quem já teve a experiência de estar com Educandos para passar a mensagem espírita sabe que, dependendo da situação e perfil da turma, manter o interesse dos menores durante todo o estudo é complexo.

Com reuniões à distância esse desafio fica maior, exigindo dos Educadores jogo de cintura, preparo adequado da reunião e uso de ferramentas adequadas.

Entre elas, envio prévio de material para servir de base para a reunião; uso de Quiz, promovendo interação e participação de todos; filmes curtos; slides chamativos, etc – já usamos todos esses recursos, juntos, isolados, mas sempre planejados.

O novo normal das atividades espíritas para infância

Acredito que devemos ser muito cuidadosos ao decidir retomar as atividades presenciais. Aliás, na minha opinião,  o ideal seria que isso ocorresse quando tivermos uma vacina e/ou um medicamente realmente eficaz para combater a doença. Afinal, somos responsáveis por tudo o que ocorre na instituição – até mesmo a disseminação do vírus!

Contudo, como o objetivo deste espaço é pensar no pós-pandemia, quando acho que será importante mantermos alguns hábitos trazidos pela Covid-19, deixo aqui meu pensamento sobre uma possível retomada, se ocorrer nos próximos meses.

Para o público jovem será mais fácil porque poderão ir sozinhos e entendem as necessidades para evitar contaminação.

Já o retorno das crianças para a Casa Espírita, implica em muitos cuidados, começando por uma boa quantidade de Educadores Espíritas para receber e garantir a segurança dos Educandos, bem como um protocolo muito rígido para evitar disseminação do vírus.

Quanto antes as equipes começarem a discutir sobre o assunto, melhor. Mas, claro, como a ideia é colaborar para a reflexão do novo normal nas Casas Espíritas, neste caso, nas atividades de infância, seguem algumas dicas:

  1. Criar as regras para proteção e comunicá-las aos educandos, pais e público em geral;
  2. Brinquedos, livros, gibis e outros itens, antes disponibilizados livremente, agora precisam ser adequadamente higienizados e, uma saída, pode ser separá-los em kits únicos, evitando o risco de contaminação – lembrete: será preciso higienizar e embalar tudo novamente, após o fim da reunião;
  3. Criar formas de socialização que não exijam contato. Cumprimentos com cotovelo, pés ou mesmo dancinhas, podem ser uma forma divertida de interação;
  4. Trabalhar com turmas reduzidas em dias alternados pode ser uma saída para diminuir o número de Educandos e evitar aglomerações;
  5. Reuniões em ambientes externos, se o tempo permitir, também ajudam a diminuir riscos.

 

É impossível adivinhar como será o mundo e o movimento espírita quando a pandemia passar, mas acredito que haverá mudanças no comportamento das pessoas e será preciso nos adaptarmos a isso.

Penso que o trabalho digital, incluindo para o público infantojuvenil, deverá se manter forte, tendo em vistas algumas facilidades que oferece. Porém, a socialização é muito importante e, assim, ainda acho que encontros presenciais continuarão a acontecer.

O mais provável é que tenhamos que achar um equilíbrio entre as atividades presenciais e virtuais!

Certamente este artigo não esgotou o assunto, tão complexo, mas espero que tenha trazido ao menos uma pequena contribuição para que possamos nos preparar para o novo normal nas Casas Espíritas, inclusive para as atividades infantojuvenis!

Nesse sentido, continue acompanhando outros artigos sobre o tema, e sobre a Doutrina Espírita, aqui em nosso blog Café com Kardec!

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