Lançado em janeiro de 1890, 21 anos após o desencarne do Codificador Allan Kardec, Obras Póstumas é uma coletânea de textos do professor Rivail que permaneceram guardados, longe dos olhos do público, enquanto ele ainda estava encarnado, comandando as pesquisas e o movimento espírita.

Será que Kardec pensava em publicá-los? Em caso positivo, publicaria todos os textos ou apenas parte deles?

Para essas perguntas não temos respostas, infelizmente. Mas neste artigo vamos mostrar um pouco do conteúdo de Obras Póstumas – que completa 130 anos em 2020. Confira e tire suas próprias conclusões.

O que é que Obras Póstumas tem?

Já no começo de Obras Póstumas o leitor é presenteado com duas preciosidades: uma biografia sucinta de Allan Kardec e o discurso que Camille Flammarion (cientista e membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas) pronunciou junto ao túmulo do Codificador no dia de seu sepultamento. Entre tantos pontos interessantes, o discurso teve o mérito de cunhar o adjetivo de “bom senso encarnado” ao professor francês.

Em seguida, o livro se divide em duas partes, sendo que a primeira contém os seguintes assuntos, entre outros:

  • Profissão de fé espírita raciocinada: fala sobre Deus, a Alma e a Criação na visão espírita;
  • Manifestações dos Espíritos: períspirito, manifestações visuais, emancipação da alma, médiuns, obsessão;
  • Fotografia e Telegrafia do Pensamento;
  • Estudo sobre a natureza do Cristo;
  • As aristocracias.

Só por esses temas – existem outros nessa primeira parte – já podemos notar a existências de material farto para estudo doutrinário. No próximo tópico veremos o que consta na segunda parte da obra.

Segunda parte de Obras Póstumas: mensagens para Kardec

Ao longo de seu trabalho de elaborar a Codificação Espírita, Kardec teve a companhia de muitos Espíritos elevados que estiveram por perto para ajudá-lo em seu trabalho.

Na segunda parte de Obras Póstumas são reveladas mensagens que o Codificador recebeu desses Espíritos amigos. Elas mostraram a missão que ele tinha em mãos, mas também revelaram uma encarnação anterior – como um druida de nome Allan Kardec, razão pela qual foi adotado esse pseudônimo ao assinar as obras que compõem os fundamentos doutrinários.

Outras informações importantes são o diálogo entre o professor francês e os Espíritos amigos sobre fatos como o Auto de Fé de Barcelona, o lançamento da Revista Espírita e a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em todos eles, os amigos invisíveis davam opinião sobre o assunto, deixando ao Codificador a decisão final – algo que devemos fazer sempre, passando todas as comunicações pelo crivo da razão.

Merece destaque a comunicação em que Kardec é alertado para diminuir o ritmo de seus trabalhos, evitando maiores problemas com sua saúde e, como consequência, evitando empecilhos que pudessem impedir de completar seu monumental trabalho.

Igualmente interessantes são as reflexões do Líder Espírita sobre o futuro do movimento após seu passamento, quando ele deduz que o mais indicado será a formação de um grupo de pessoas para condução do movimento e preservação dos preceitos doutrinários, garantindo sua coerência.

Como foi dito no início deste texto, não sabemos se o Codificador tinha intenção de publicar esses apontamentos, guardados enquanto encarnado. E, em caso positivo, quais seriam os artigos divulgados ao público em geral (todos ou apenas alguns?).

Mas o fato é que conhecê-los é importante para reflexão de nosso conhecimento doutrinário. Contudo, essa leitura requer que consideremos a época em que foram produzidos e o contexto geral da obra kardequiana.

E você, já leu Obras Póstumas? Qual sua opinião: ela deveria ter sido publicada ou não pelos sucessores de Kardec no movimento espírita? Divida sua opinião conosco.

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