Paulo e João, quando jovens, estudaram juntos. Tendo crescido no mesmo bairro, tornaram-se amigos e muito faziam em companhia um do outro. Cresceram, constituíram família, mudaram-se para outros bairros, e cada um seguiu sua vida. Paulo tornou-se engenheiro, João tinha uma oficina mecânica. Por muito tempo não se encontraram…

João caminhava entristecido pela cidade, buscando novo local para instalar sua oficina que passava por dificuldades quando, ao passar por uma esquina, defrontou-se com Paulo. Reconheceram-se imediatamente.

Visivelmente, a situação sócio-econômica dos dois era muito distinta e João ficou até receoso. Mas Paulo não titubeou, abraçando-o entusiasticamente, vencendo a resistência inicial. Entabularam breve conversação, já que ambos tinham compromissos. Afastaram-se e ambos carregavam em si uma sensação de bem-estar aparentemente inexplicável.

O Passe no Centro Espírita

Sempre que nos relacionamos com outras pessoas, ou espíritos desencarnados, trocamos energias – assim denominamos por não existir outra mais específica, poderia ser fluido ou outra convencionada – que estão de acordo com os sentimentos que carregamos em nosso íntimo. Essa energia pode fazer bem ou mal às pessoas de nosso contato – tão mais intensamente quanto seja nosso desejo de lhe transmitir esse sentimento.

É exatamente o que acontece quando, em um Centro Espírita, solicitamos a aplicação de um Passe. O aplicador do passe (por vezes chamado de passista), aproximando-se de nós, dirige seu pensamento procurando expressar sua vontade de nos beneficiar com boas energias, nos proporcionando o bem-estar que alivie as agruras da vida material e, principalmente, de nosso ambiente mental.

Mas há aspectos adicionais nesse processo. Citarei três: o primeiro diz respeito ao nível de nossos pensamentos, pois a recepção do Passe não é algo automático ou mágico, dependendo para seu efeito da sintonia entre as boas energias do aplicador do passe e a mentalização do receptor;

Outro fator refere-se à ação dos espíritos que sempre estão em nosso entorno

Os de mesma índole que nós (o aplicador e o receptor do passe) reforçarão a ação dessas energias, ao envolver-se na sua movimentação, agregando seus pensamentos e contribuindo com essa interação;

Mais um aspecto é a simplicidade na aplicação do passe

Como exemplificado no início do texto, um abraço entre amigos, um afago em uma criança, um aperto de mão, um aceno entre pessoas que não se tocam devido à distância, podem servir ao fim de transmitir energias uma à outra, se movidos de sincero desejo.

Portanto, no Centro Espírita, à aplicação do Passe basta a imposição de mãos, sem qualquer movimentação, sem ruídos, sem falas… e em um ambiente tranquilo. Eventualmente com uma música suave e em baixo volume e uma iluminação difusa, de modo a proporcionar relaxamento às pessoas.

Conclusão

Notamos que existem fatores que podem dificultar e até impedir a efetividade do passe na Casa Espírita, entre eles, a ocupação mental com as atribulações do cotidiano ou focada em temas de irritação, raiva, vingança (de qualquer dos dois envolvidos, aplicador e receptor), ambientes com muita agitação, distraindo a atenção e até a movimentação do aplicador do passe – alguns há que acreditam ser necessária verdadeira ginástica para isso.

Finalmente, mas não menos importante, compreender que o Passe não é solução para todo e qualquer problema, pois se trata de um apoio ao receptor para que enfrente melhor os desafios da vida, com isso ampliando seu aprendizado ao superar esses desafios – conforme preconizam os ensinamentos doutrinários contidos no Espiritismo e que podem ser conhecidos através do estudo da Codificação, começando pela leitura de O Livro dos Espíritos.

Dessa maneira não devemos considerar indispensável ser atendidos com o Passe todas as vezes que formos ao Centro Espírita, até para não sobrecarregar os que se dispõem à sua aplicação, além de considerar que em nossa participação realmente interessada já estamos envolvidos pelo ambiente espiritual e sendo então beneficiados.

O mais importante é, nas reuniões, estarmos atentos ao aprendizado da Doutrina Espírita para, com isso, viver da melhor maneira possível em termos de relacionamento humano. Se, de acordo com a afirmação dos espíritos, no entender de Jesus caridade é “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”, pratiquemo-la cotidianamente para viver bem.

E, você, qual sua opinião sobre o Passe? Acha que é necessário receber a aplicação toda vez que for ao Centro Espírita? Comente conosco e leia outros conteúdos publicados em nosso Blog.

Ref.:

O Livro dos Espíritos, questões 525 a 535

O Livro dos Espíritos, resposta à questão 886

O Livro dos Médiuns, especialmente os capítulos 14 e 15

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