O dia 3 de dezembro foi oficializado, pela Organização das Nações Unidas (ONU), como o Dia Internacional do Deficiente Físico. Criada em 1992, a data tem como objetivo a sensibilização da comunidade para os desafios enfrentados por pessoas com deficiência física.

Pela importância do tema, Café com Kardec traz um artigo sobre o assunto. Confira – e reflita!

Como são vistas as pessoas com deficiência física?

Por ocasião das Paralimpíadas o que eu mais ouvia dizer era “você viu os atletas Paralímpicos? Esses caras com deficiência física são super-humanos.”

Visão curiosa, não? As mesmas pessoas que, em geral, são vistas como coitadinhas, incapazes, etc., etc., repentinamente passam a ser vistas como super heróis. Mas de certa forma é fácil de explicar: o “coitadinho” se deve ao fato de que, como diz a música, “Narciso acha feio o que não é espelho”. Isto é, tudo que não é igualzinho a nós achamos estranho, descabido, feio.

Já os super heróis são todos aqueles que não conseguimos compreender, que fazem coisas que não nos achamos capazes de fazer e colocamos na conta dos milagres. E quem produz coisas inimagináveis? Só os heróis ou os Deuses. Como ninguém imagina Deuses em cadeira de rodas ou de bengala fica por conta dos super heróis mesmo.

Deficiência Física segundo a visão do Espiritismo

É por isso que eu prefiro a visão espírita do ser humano – e o significado que o Espiritismo dá para a vida. Nela, todos nós somos espíritos e as deficiências físicas – como o próprio nome diz – são do corpo e ficam só no corpo. Portanto, não há super heróis, pessoas com poderes ou capacidades exclusivas. Na visão espírita tudo é inclusão. Nós somos simplesmente espíritos e pronto.

Na verdade, sob o ponto de vista espírita, não somos pessoas com deficiência física, nós estamos pessoas com deficiência, visto que essa condição está no corpo e, na pior das hipóteses, ao deixarmos o corpo deixaremos junto suas respectivas deficiências físicas.

Mas, se preferirem, podem ficar com a visão inclusiva do Mestre: “Se tiveres fé farás o que eu fiz e muito mais, pois, sois Deuses”. Repare bem que ele dirigia-se aos apóstolos como se falasse a cada um de nós.

Ou seja, todos são espíritos e, por consequência, todos – sem discriminação, sem preconceito, sem privilégios – atingirão a evolução indicada por Jesus, inclusive os que passam pela experiência de ter uma existência com deficiência física – sugerimos a leitura de artigo que revela a vida do Espírito após o desencarne.

Convite à reflexão

É com base nessa visão Espírita – que difere do Espiritualismo, vale lembrar -, inclusiva e jamais exclusiva, que eu convido todos a fazerem uma reflexão e responder para si próprio as questões abaixo:

  • A casa espírita que eu participo tem frequentadores que são pessoas com deficiência física (PCD)? Senão tem, por que?
  • Se esses PCD.s vierem à nossa Casa Espírita e quiserem se tornar trabalhadores, nós estamos prontos para ajudá-los em sua formação e para ombrear com eles no trabalho da seara espírita?
  • Nós temos condições de envolvê-los em qualquer atividade das nossas instituições?
  • O movimento espírita está preparado para conviver com dirigentes de casas espíritas, de USEs, etc., que sejam pessoas com deficiência física?

Há muito a ser feito para tornar as Casas Espíritas e o próprio movimento efetivamente inclusivo. As reflexões acima podem ser um bom começo!

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Sério Ramos de Faria integra o Centro Espírita Gabriel Ferreira e a USE Distrital Vila Maria, auxiliando em vários setores, especialmente na área doutrinária. Também é consultor em acessibilidade, sendo um dos sócios fundadores da empresa de acessibilidade Diversitas (www.diversitas.etc.br)

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