O Espiritismo ao vir para o Brasil por muito tempo se estabeleceu em grupos familiares, que se reuniam em torno de pessoas dotadas de grande mediunidade, mas muitas vezes sem grandes conhecimentos da Doutrina Espírita – surgiam as reuniões mediúnicas.

Muitos frequentadores dessas atividades iam atrás dos fenômenos mediúnicos por curiosidade ou para ajuda espiritual. Assim, as reuniões mediúnicas se ampliaram e tornaram-se públicas, criando os primeiros Centros Espíritas brasileiros.

O médium ou médiuns se reuniam em torno de uma mesa coberta por toalha branca, fazendo surgir o termo popular ainda muito usado: “Espiritismo de mesa branca”. A partir da década de 50, começaram a ser criados grupos organizados de estudos da Doutrina Espírita, estudos que muitas vezes não atraíam – como ainda não atraem – os chamados “médiuns práticos”.

Ao mesmo tempo foram desaparecendo as reuniões mediúnicas abertas ao público, havendo por consequência uma diminuição dos “adeptos curiosos”. As Casas Espíritas desenvolveram as chamadas reuniões de desobsessão, onde os grupos mediúnicos se reúnem para um trabalho de assistência espiritual – inclusive, ministrando passes.

A psicografia praticamente desapareceu. Poucas casas têm reuniões mediúnicas voltada para o estudo, no formato desenvolvido por Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fundada logo após o lançamento de O Livro dos Espíritos. Graças a essas reuniões, surgiram a Revista Espírita e os livros que se seguiram, inclusive a ampliação de O Livro dos Espíritos.

Essas reuniões buscavam as manifestações espontâneas e as evocações, com a principal finalidade de estudo e eliminar eventuais dúvidas, passando todo o material recebido mediunicamente por uma análise crítica criteriosa.

A frase “o telefone só toca de lá para cá”, dita por Francisco Cândido Xavier, fez com que muita gente se acomodasse, evitando a evocação de espíritos nas reuniões mediúnicas, por receio de mistificação e até mesmo o questionamento das comunicações dos chamados mentores nas reuniões de desobsessão.

Chico Xavier disse a frase para explicar às pessoas que o procuravam para receber noticias de entes queridos, a dificuldade para se estabelecer esta ligação, explicando com isso a razão de muitas vezes não se obter sucesso nestas tentativas em razão de muitos não estarem em condições de se comunicar. Mas sabemos muito bem que, muitas vezes, os espíritos se apresentavam por conta da evocação mental feita por seus parentes presentes à reunião.

O capitulo 25 de O Livro dos Médiuns pode nos ajudar na avaliação da utilização da evocação. Utilizamos aqui um trecho do primeiro parágrafo do capítulo XXV: Das Evocações:

  1. Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente ou atender ao nosso apelo, isto é, ser evocados. Algumas pessoas acham que não  devemos evocar nenhum Espírito, sendo preferível esperar o que quiser comunicar-se. Entendem que chamando determinado Espírito não temos a certeza de que é ele que se apresenta, enquanto o que vem espontaneamente, por sua própria iniciativa, prova melhor a sua identidade, pois revela assim o desejo de conversar conosco. A nosso ver, isso é um erro. Primeiramente porque estamos sempre rodeados de Espíritos, na maioria das vezes inferiores, que anseiam por se comunicar. Em segundo lugar, e ainda por essa mesma razão, não chamar nenhum em particular é abrir a porta a todos os que querem entrar.

Kardec afirma que as duas maneiras de agir nas reuniões mediúnicas têm as suas vantagens e só haveria inconveniente na exclusão de uma delas.

Este artigo tem a principal finalidade de despertar as Casas Espíritas para a necessidade da formação de grupos de estudos mediúnicos, que se utilizem da psicografia e/ou psicofonia em manifestações espontâneas ou nas evocações, para um estudo sério com muita disciplina e poder de avaliação.

No caso de reuniões mediúnicas, utilizem bem o telefone e obterão as respostas!

Nós, do Café com Kardec, queremos saber o que você pensa do assunto? Pode haver evocações nas reuniões mediúnicas? Queremos saber sua opinião.

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