Alguns Espíritas, apegados ainda a antigas raízes religiosas, fazem certa confusão entre princípio inteligente e o Espírito. Pelo imenso amor aos animais, principalmente gatos e cachorros, querem reencontrá-los na Espiritualidade e até, se possível, receber noticia deles.

Buscando resposta na Doutrina Espírita não é difícil entender o que acontece. Logo após a questão 76, de O Livro dos Espíritos, em uma nota, fica muito clara a diferença entre Espírito – utilizado para designar a individualidade dos seres extracorpóreos – e o elemento (princípio) inteligente do Universo. Esta simples compreensão daria para entender que a diferença entre o Espírito e o Princípio Inteligente dos animais é equivalente à distância que separa os homens de Deus (questão 597 A, da mesma obra).

Na resposta à questão 600 nos aprofundamos nesse entendimento ao ler que este princípio, ou alma do animal,“depois da morte é classificado pelos Espíritos a quem incumbe esta tarefa e é utilizado quase imediatamente, não lhe sendo dado tempo de entrar em relação com outras criaturas”.

Se mesmo assim ainda restasse alguma dúvida, uma consulta a O Livro dos Médiuns, no capitulo 25, item 283, sobre Evocações de Animais, temos a seguinte afirmação: “Assim, no mundo dos Espíritos não há espírito de animais, mas unicamente espíritos humanos”. Kardec insiste e pergunta: “Como tendo evocado animais algumas pessoas obtiveram resposta?”. E em resposta jocosa ensinam: “Evoca um rochedo e ele te responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra sob qualquer pretexto”.

Ora, se está tudo tão claro nas obras básicas por que, então, este artigo? Porque no meio espírita nos últimos tempos, algumas pessoas que têm extremo amor pelos animais passaram por cima de ensinamentos doutrinários tentando introduzir ideiais que, gostariam, fosse verdade.

Citam até obras de André Luis, onde há relatos de animais na espiritualidade, esquecendo-se que não passam de formas plasmadas pelo pensamento (assim como as construções, entre outros exemplos) ou espíritos que assumem aparência de animais pela metamorfose perispiritual, subjugados por ações hipnóticas emitidas por mentes poderosas e opressoras.

Esses casos demonstram de um lado a ideoplastia atendendo a finalidades enobrecidas e, de outro, obedecendo a vínculos de afinidades em que vítimas e algozes se identificam para realizarem o trabalho de se auto-educarem reciprocamente, visando o cumprimento da Lei Maior que confere a cada um o resultado daquilo que procura.

Não podemos ter um “Espiritismo à moda da casa”, induzindo pessoas ao erro. Temos responsabilidades e por ela responderemos, com base nos princípios que abraçamos e buscamos vivenciar.

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