Um povo desatento à sua história é um povo sem referenciais. É um corpo sem alma, um cérebro sem memória, matéria densa mas sem vida, que se decompõe e se evola no ar para perder-se na imensidão do caos.

O conhecimento do Espiritismo exige conhecer História, pois quanto mais conhece os homens mais conhece e entende o Espiritismo e quanto mais conhece o Espiritismo mais conhece e entende os homens. É uma via de mão dupla na sua vivência espiritual pelo infinito em termos de espaço e tempo.

Implica também que deva conhecer particularmente a história do Espiritismo, saber como os fatos sucederam-se e os vultos que se movimentam como peças de jogo num tabuleiro de xadrez, personagens ao mesmo tempo protagonistas e coadjuvantes, uns em relação aos outros, no cenário que compõe o Grande Teatro da Vida. Um desses protagonistas espíritas é Torteroli, como poderemos ver a seguir.

Afonso Angeli Torteroli: líder espírita esquecido

É o caso desta personalidade que vamos aqui perfilar, destacada do movimento espírita ao tempo do Brasil Império, Afonso Angeli Torteroli – cuja biografia consultamos na Wikipédia – nasceu em Genova (Itália) em 23 de setembro de 1849 e desencarnou no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 1928.

Figura pouco divulgada historicamente, foi o grande líder dos chamados “espíritas científicos” – o outro grupo, os “religiosos” tinham como principal representante Bezerra de Menezes.

Personalidade controversa, dado a polemizar, Torteroli e seu grupo propugnavam pelo Espiritismo Ciência, de caráter laico e eminentemente emancipado de quaisquer resíduos de religião.

Em 1879 fundou a Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, que veio a ser editora de uma revista com o mesmo nome. Organizou em 1881 o 1º Congresso Espírita Brasileiro na então capital imperial e fundou também o Centro da União Espírita do Brasil, destinado a organizar o movimento espírita brasileiro, com a intenção de o conduzir pelas vertentes da ciência.

As obras de Torteroli merecem ser conhecidas pelos espíritas

Angeli Torteroli escreveu várias obras, das quais destacamos “O Espiritismo no Brasil e em Portugal”, mas foi na revista da Sociedade Acadêmica onde deu vazão à sua pena literária de critico escrevendo artigos contundentes onde ironizava a interpolação de práticas e doutrinas esdrúxulas religiosas no Espiritismo.

Um dos seus artigos mais conhecidos foi o “Espiritismo no Brasil” – veja no final deste texto como acessar o artigo de Toreroli na íntegra. Nele, o autor i eleva sua voz em protesto contra o preconceito de que era alvo o Espiritismo. Eram tempos difíceis, os espíritas eram estigmatizados na sociedade, acusados de fazerem pacto com Satanás, sofriam perseguições e diatribes proferidas nos púlpitos das igrejas.

Amiúde a polícia invadia os Centros Espíritas, fechava o recinto e levava os médiuns à prisão, a ponto de certa ocasião Torteroli, Bezerra de Menezes e outros solicitarem audiência ao Imperador, para conseguir de D. Pedro II ordem de soltura dos prisioneiros.

Torteroli, um dos pioneiros do Espiritismo

Os espíritas dos primeiros tempos, tais como Daniel lançado à toca dos leões, foram os vanguardeiros de uma luta para o Espiritismo ocupar hoje seu espaço com o merecido respeito, garantindo às gerações vindouras tranquilidade para navegar em céu de brigadeiro.

Rendamos, pois a todos eles, científicos ou religiosos, nosso pleito de gratidão e reconhecimento, por seguirem as pegadas e o exemplo do ínclito Allan Kardec, que igualmente experimentou as farpas da traição e da calúnia, sem jamais esmorecer o ânimo na boa luta.

Se você deseja conhecer o artigo de Espiritismo no Brasil, de Afonso Angeli Torteroli, citado neste texto, clique aqui

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